Santa Maria registra 60 assassinatos e número é o maior dos últimos três anos

Maurício Barbosa

Santa Maria registra 60 assassinatos e número é o maior dos últimos três anos
Homem de 57 anos foi morto com dois golpes de faca na madrugada de domingo na Rua Ernesto Beck em Santa Maria. Fotos: Maurício Barbosa

A 41 dias do fim de 2022, Santa Maria já registra um recorde relacionado ao número de assassinatos nos últimos três anos. Depois de um fim de semana violento com, pelo menos, dois homicídios e duas tentativas registradas, o município chegou a 60 vítimas. Nos últimos 10 anos, os números de 2022 só perdem para os de 2016, 2017 e 2018, quando foram registrados, na época, 64, 70 e 63 crimes, respectivamente, considerando latrocínios, feminicídios e homicídios.A cidade já havia amargado o primeiro semestre mais violento dos últimos 10 anos, conforme matéria publicada no Diário em 14 de julho deste ano. Na época, haviam sido registradas 39 mortes por violência.

Os crimes

O primeiro crime registrado no fim de semana foi o assassinato de um jovem de 24 anos, executado com cinco tiros. A vítima foi identificada como Leonardo Ribeiro. Conforme a ocorrência registrada pela Brigada Militar (BM) na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento da Polícia Civil, os policiais foram chamados após a vítima dar entrada no PA, por volta das 6 horas do último sábado.

Jovem morreu por volta das 6h de sábado, após dar entrada no Pronto-Atendimento do Patronato, ferido com cinco tiros.

Ele foi levado por uma pessoa que não foi identificada, com três tiros no peito, um na barriga e um em uma das pernas. Este foi o 59° assassinato do ano em Santa Maria.

Ainda no sábado, por volta das 9h30min, um homem de 31 anos foi vítima de uma tentativa de homicídio. O crime aconteceu na Rua Rui Barbosa, no Bairro Carolina. A vítima foi baleada de raspão na cabeça.

Quando os policiais chegaram ao local, o homem estava sendo atendido pelos bombeiros e, ainda consciente, contou que estava caminhando pela calçada quando um carro passou e alguém, de dentro do veículo, disparou os tiros. Ele saiu correndo, pedindo socorro e os criminosos fugiram.

A madrugada de domingo registrou o crime mais violento do fim de semana. Um homem de 57 anos foi morto com duas facadas, uma no peito e outra no pescoço. O crime aconteceu por volta das 2h30min, na Rua Ernesto Beck, nos fundos da escola Manoel Ribas (Maneco). A vítima foi identificada como Geraldo Carvalho Godoy.

A Brigada Militar foi chamada, isolou o local e acionou a equipe volante da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) da Polícia Civil e os investigadores da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), deram início às investigações. Já os peritos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) fizeram o levantamento do local.

Conforme informações apuradas com exclusividade pela reportagem com a Polícia Civil e com a Brigada Militar (BM), o crime aconteceu pouco depois que a vítima deixou uma casa noturna. O homem teria estacionado o carro nos fundos da escola e acabou sendo esfaqueado. Do lado de fora do carro, a perícia encontrou marcas de sangue.

Após ser esfaqueado, o homem entrou no carro e dirigiu pela Rua Ernesto Beck até a esquina com a Avenida Rio Branco, onde desceu do carro e caiu no chão. Populares acionaram os bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que tentaram reanimar a vítima, mas o homem não resistiu aos ferimentos e morreu. Este foi o 60º assassinato do ano.

Por volta das 4h35min, um homem não identificado foi encontrado caído na Avenida Borges de Medeiros. Ele tinha ferimentos causados por golpes de facão e foi encaminhado para atendimento médico.

Vítima foi esfaqueada nos fundos da escola Manoel Ribas. Local foi Isolado pela polícia e periciado pelo IGP.

Investigações

O delegado Gabriel Zanella, titular da Delegacia de Homicídios, confirma o aumento dos crimes contra a vida e credita a maioria dos casos às disputas por pontos de tráfico de drogas, cobranças de dívidas, acertos de contas e rixas do sistema carcerário.

– O primeiro homicídio, possivelmente, tenha relação com alguma desavença no mundo do crime. A Polícia Civil está verificando esta motivação, as circunstâncias e a autoria. Quanto ao mais recente homicídio, acreditamos que se trata de algo momentâneo, de uma desavença ocasional entre vítima e agressor. Estamos fazendo diligências para que esses dois crimes, e os anteriores, sejam esclarecidos – afirma o delegado.

Sobre o fato de 2022 ainda não ter terminado e já ser o ano mais violento comparado aos últimos três, Zanella ressalta que a Polícia Civil tem trabalhado de forma intensa, qualificada e diuturna para tentar esclarecer a autoria e a motivação desses graves crimes.

– A maioria das vítimas mortas e dos autores dos homicídios são pessoas com antecedentes policiais graves e passagens pelo sistema prisional. Das mortes de 2022, fazemos uma ressalva de que seis, são casos de explicita legítima defesa (criminosos mortos em confronto com a polícia), nos quais, o inquérito é remetido ao poder judiciário sem o indiciamento do investigado – explica Zanella.

De acordo com o delegado, o índice de elucidação dos crimes deste ano, até este fim de semana, é de 85%.

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